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Hip-hop: o que é e como fazer uma música de rap
De onde vem o hip-hop, o que separa boom bap, trap e drill, no que prestar atenção e como fazer uma música de rap com um hook que todo mundo grita junto.

O hip-hop é uma cultura que nasceu nas festas de quarteirão do Bronx nos anos 1970, e o rap é a voz dela: palavras rimadas ditas no ritmo, em cima de um beat. Se você quer saber como fazer uma música de rap, tudo se resume a três partes: um beat de bateria e baixo, versos em que você diz algo de verdade e um hook curto o bastante para um lugar inteiro gritar junto.
Os hooks de hip-hop do Vibnelo estão listados abaixo do artigo, os mais quentes primeiro.
De onde vem o hip-hop
Em 11 de agosto de 1973, DJ Kool Herc tocou numa festa de volta às aulas no salão de festas do prédio da 1520 Sedgwick Avenue, no Bronx. Ele percebeu que a galera dançava mais solta no break, o trecho de um disco de funk norte-americano em que só sobra a bateria, então tocou duas cópias do mesmo disco e foi alternando entre elas para esticar o break. Os MCs começaram a falar por cima desses breaks para animar o público, e a conversa virou rima.
O DJing, o MCing, o breaking e o grafite cresceram juntos como os quatro elementos da cultura. Em 1979, “Rapper’s Delight”, do Sugarhill Gang, levou o rap dos parques para o rádio, e em 1982 “The Message”, de Grandmaster Flash and the Furious Five, provou que o rap podia contar a vida real. No fim dos anos 1980, Rakim já colocava rimas dentro dos versos em vez de deixá-las só para o final, e desde então o rap só fica mais denso.
Boom bap, trap e drill
- O boom bap tem esse nome por causa do som do bumbo (boom) e da caixa (bap). É o som de Nova York do fim dos anos 1980 e dos anos 1990: samples recortados de soul e jazz, baterias empoeiradas e uma caixa seca no 2 e no 4, normalmente entre 85 e 95 BPM. KRS-One colocou o nome no título de um álbum de 1993, Return of the Boom Bap, e Illmatic (1994), do Nas, é o livro didático do estilo.
- O trap surgiu no sul dos Estados Unidos no começo dos anos 2000, sobretudo em Atlanta. A palavra é gíria para uma casa onde se vende droga, e T.I. batizou seu álbum de 2003 de Trap Muzik. O beat se apoia em 808s longos e afinados, hi-hats que chacoalham e uma caixa no tempo 3, a uns 130–150 BPM que se sentem em meio tempo.
- O drill começou em Chicago no início dos anos 2010, com “I Don’t Like” (2012), de Chief Keef, como a grande virada. Produtores de Londres o transformaram em UK drill, com 808s que deslizam e caixas que caem um pouco ao lado de onde você espera. No Brooklyn, “Dior” (2019), de Pop Smoke, produzida por 808Melo, do leste de Londres, fez desse som um hit de Nova York. O drill costuma ficar em torno de 140 BPM em meio tempo, e é frio de propósito.
No que prestar atenção: tempo, flow e o 808
Balance a cabeça junto com a caixa. No boom bap ela bate no 2 e no 4, então a cabeça mexe a cada batida. No trap ela cai uma vez só por compasso, no 3, então você balança na metade da velocidade enquanto os hi-hats correm por cima. Esse contraste entre hi-hats rápidos e um corpo lento é a sensação do trap.
- O flow é onde as sílabas caem em relação ao beat: em cima, na frente, atrás ou em tercinas, três sílabas por tempo, o padrão que o Migos levou ao mainstream com “Versace” (2013).
- A cadência é como a voz sobe e desce ao longo de um verso, o desenho que você reconheceria mesmo só cantarolando. Quando o rapper está encaixado no beat, soa colado na bateria; quando não está, parece que está lendo.
- O 808 vem da bateria eletrônica Roland TR-808. O bumbo dela, afinado e esticado numa nota longa, virou o baixo do trap e do drill: um grave que toca melodia e que, no drill, desliza de nota em nota.
- Os ad-libs, os gritinhos curtos atrás da voz principal, preenchem os espaços e muitas vezes viram a assinatura de um rapper.
Como fazer uma música de rap com um hook que a galera repete
A maioria das músicas de rap segue um mapa simples: um hook de 8 compassos, um verso de 16, o hook, um segundo verso e o hook de novo. Um compasso tem quatro tempos, e uma linha de rap costuma ocupar um compasso; no rap, esses compassos também são chamados de barras.
Escreva o hook primeiro. Dê a ele uma ideia só, com palavras simples, curta o bastante para ser gritada, e repita: quatro compassos feitos duas vezes formam o hook clássico de 8. Deixe um espaço para uma resposta, como faz “Keep the Lights On”, de Jax Morrow, que responde ao próprio título com “(Keep ’em on!)”. Um hook montado do mesmo jeito:
Caiu o salário, caiu o salário (bora!)
Mãe, põe o pé pra cima, o aluguel tá pago
Caiu o salário, caiu o salário (bora!)
Hoje ninguém aqui conta trocado
Os versos precisam merecer esse momento. Os pares de rima (AABB) são a espinha; as rimas multissilábicas fazem duas ou mais vogais baterem em sequência:
Antes: Mãe diz que o dinheiro acabou, / eu digo: calma, que agora eu vou.
Depois: Mãe me liga: a conta zerou de novo, / ela chora baixinho no lenço de bolso, / meu pai conta as moedas que vieram de troco, / e eu escrevo no ônibus pra virar esse jogo.
Cada barra termina nas mesmas três vogais (e–ô–o) e traz uma imagem nova. As rimas internas vão dentro do verso também: “Bato o ponto, fico tonto, mas tô pronto pro turno da noite” rima três vezes antes de terminar. Para o hook em si, veja nove dicas para um refrão que fica na cabeça.
Músicas para estudar
- Nas, “N.Y. State of Mind” (1994): rimas internas e multissilábicas bem densas sobre um beat de boom bap do DJ Premier.
- The Notorious B.I.G., “Juicy” (1994): uma história de vida com um antes e um depois bem claros, num flow que soa como conversa.
- Lauryn Hill, “Doo Wop (That Thing)” (1998): versos de rap e um hook cantado na mesma música.
- Eminem, “Lose Yourself” (2002): longas cadeias de rimas multissilábicas e uma história que cresce até o hook.
- Migos, “Versace” (2013): o flow em tercinas e um hook de uma palavra só, repetido até grudar.
- Kendrick Lamar, “Alright” (2015): um hook para cantar em coro, construído em cima de uma promessa simples.
Como se destacar
- Escreva o que só você poderia escrever. Sua rua, seu trabalho, o que está em cima da mesa da sua cozinha. Detalhes são a única coisa que ninguém consegue copiar.
- Ache o seu encaixe no beat. Copie um flow que você ama para aprender, depois mexa nele: entre um tempo depois, tire uma sílaba, faça uma pausa onde os outros correriam.
- Fique com uma voz só. Calma ou alta, engraçada ou fria: quem ouve precisa saber que é você antes de o hook chegar.
- Comece forte. Abra com o hook ou com a sua melhor barra, não com uma intro longa: no feed, os primeiros segundos decidem se alguém fica.
Quando a música estiver pronta, jogue a faixa inteira no Hook Lab: ele encontra os 30 segundos mais fortes, e só essa parte é enviada, enquanto a música inteira fica no seu aparelho. Se você tem barras mas ainda não tem música, o mundo Voz tem o desafio “Freestyle de 16 barras”: até 30 segundos de improviso sobre um instrumental do Vibnelo. Depois ouça os hooks de hip-hop aqui embaixo e, se quiser esperança por baixo do beat, o gospel hip-hop tem a sua própria página.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre hip-hop e rap?
O hip-hop é a cultura inteira que nasceu no Bronx: DJing, MCing, breaking, grafite e a música que saiu disso. O rap é a parte vocal, rimar no ritmo em cima de um beat, embora no dia a dia as duas palavras sejam usadas para a mesma música.
Quantos BPM tem o hip-hop?
O boom bap costuma ficar entre 85 e 95 BPM. O trap e o drill são programados a uns 130–150 BPM, mas soam na metade da velocidade, por isso a mesma música de trap pode aparecer listada a 140 BPM ou a 70.
Quantas barras tem um verso de rap?
O verso clássico tem 16 barras e o hook clássico, 8, embora muitas músicas recentes usem versos de 8 ou 12. Para começar, conte quatro tempos por barra e uma linha por barra.
Preciso de um beat próprio para fazer uma música de rap?
Para escrever, não: treine em cima de qualquer instrumental de que você goste. Para lançar, você precisa do direito de usar o beat, então faça o seu, licencie com o produtor ou trabalhe com um.
O que faz um bom hook de rap?
Uma ideia só, com palavras simples, curta o bastante para ser gritada e repetida pelo menos duas vezes. Coloque o título no tempo mais forte, deixe um espaço para uma resposta e confira se as pessoas conseguem repetir depois de ouvir uma vez.
Until Tomorrow
Ten and Two



